O verão passado foi intenso. Ondas de calor que pareciam castigo. Acordava pegajosa, inquieta e de mau humor.
Mesmo com o ar condicionado no máximo e os ventiladores a bombar, o ar estava pesado. Não conseguia respirar, nem dormir, nem funcionar.
Cozinhar? Impossível. Trabalhar a partir de casa? Esquece. Andava rabugenta, exausta e encharcada em suor. E o pior? A conta da luz era de arrepiar.
Gastei dinheiro em todas as “soluções” que diziam ser milagrosas. Um ventilador de torre todo XPTO. Um ar condicionado portátil enorme que parecia um avião a descolar. Até um com um tubo de escape gigante que não cabia em nenhuma janela.
Nenhum funcionou. Pelo menos, não por muito tempo. Alguns avariaram. Outros começaram a pingar. A maioria… só serviu para deitar dinheiro (e esperança) fora.